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Não me importo com o dia
Que chega alucinado de Sol
E derrama raios impressionistas
Na palidez das minhas cortinas.
Não me prendo mais aos reflexos
Das retinas em óticas iludidas
Nem a tímpanos que recebem
Os sons dos martelos anti-naturais.
Não sou eu que assisto este dia,
É ele que acata o que resolvo em mim,
É ele que se desdobra no meu horizonte,
Sou eu que desnudo sua chegança.
Neste dia não quero escutar
O combate omisso dos heróis desistentes,
O ranger ácido dos dentes trincados,
Nem ao desalento da febre estéril
Que sufoca o soluço na garganta.
Não choro hoje pelos viajantes esfarrapados
Que se comprimem nas trincheiras
dos peitos murchos.
Não aceito os gestos revertidos,
Oprimidos nos portais da escuridão.
Nesse dia meu
São minhas as convicções pintadas
Alagando de aquarelas cintilantes
As tristezas das neblinas.
Sou eu que apago a luz
E antecipo a sedução da noite.
Lambuzo de chocolate a Lua no céu,
Abro a roda da minha ciranda,
Não deixo que você fuja,
Não ligo pr'a sua zanga,
Algemo seu desejo no meu colo,
Espalho estrelas na sua varanda.
kk